Menu


Web Radio O Sertanejao
24 hs. online

Educação, Mais de 10 milhões de jovens não concluíram o Ensino MédioNúmero é revelado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE, divulgada ontem

17 JUL 2020
17 de Julho de 2020
 Os dados sobre a escolarização da população brasileira vêm melhorando, mas ainda mostram uma forte desigualdade, especialmente a partir da adolescência, quando parte expressiva dos jovens ainda interrompe os estudos. O país tem 10,1 milhões entre 14 e 29 anos que não frequentam a escola nem concluíram o Ensino Médio, sendo 7,2 milhões pretos ou pardos. As informações são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Educação 2019, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os dados mostram que o abandono escolar se agrava a partir dos 15 anos. Metade dos rapazes que abandonaram a escola alega que precisava trabalhar. Entre as mulheres, 23,8% deixaram os estudos porque ficaram grávidas. "É óbvio, se olhar a realidade heterogênea do Brasil, a gente sabe que muitos têm de trabalhar cedo porque precisam prover dinheiro para casa. Mas impressiona como a questão da gravidez entre as mulheres faz com que haja uma ruptura da questão escolar", disse Marina Aguas, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.
Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, organização que atua para a melhoria da educação pública no Brasil, comenta que entre os diversos fatores que explicam a evasão escolar, como vulnerabilidade social e econômica, o racismo é o traço mais importante.
"Proporcionalmente, os negros estão em famílias mais vulneráveis", disse. Segundo ele, o racismo estrutural que foi naturalizado e é negado ou ocultado no Brasil rebate em todas as estruturas do país, incluindo a Educação.
O impacto do abandono escolar, independentemente do motivo ou gênero, é da mesma natureza. "Não entrar na escolaridade básica é preditor garantido de uma péssima inserção na vida adulta e tem uma implicação inequívoca que será a inserção precária no mundo do trabalho", afirmou Henriques. Ele indica, ainda, que parte da evasão tem a ver com o próprio ambiente escolar, como no caso de crianças que sofrem bullying.
Segundo o IBGE, elevar a instrução e a qualificação dos jovens é uma forma de combater a expressiva desigualdade educacional do país, mas também pode facilitar a inserção no mercado de trabalho, reduzir empregos de baixa qualidade e a alta rotatividade, especialmente em um contexto econômico desfavorável. Para o porta-voz do Instituto Unibanco, o discurso de que bastaria dar oportunidades iguais a todos na base educacional não garante menor evasão. "Isso é uma tese abstrata sem vínculo com a realidade brasileira, que não consegue dar conta do desafio histórico da sociedade que tem racismo estrutural e onde a população negra é majoritária", comentou.
Apenas 41,8% dos adultos pretos ou pardos acima de 25 anos tinham concluído o ensino básico obrigatório em 2019, ante 57% da população branca na mesma faixa etária. Os pretos e pardos tinham, em média, 8,6 anos de estudos, enquanto os brancos tinham estudado 10,4 anos, quase dois anos a mais.
Voltar